quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Transgênicos

Os 7 pecados capitais dos transgênicos
Conheça os principais problemas dessa tecnologia que coloca em xeque a biodiversidade do planeta, provoca inúmeros problemas na agricultura mundial e afronta diretamente o Princípio da Precaução, da ONU.
1. Contaminação genéticaAgricultores que queiram se dedicar ao cultivo convencional ou orgânico já sabem: se tiver alguma plantação transgênica nas redondezas, a contaminação é garantida e a missão, impossível. Tem sido assim nos Estados Unidos, onde tudo começou, na Europa, Argentina e sul do Brasil. Com a contaminação, agricultores têm prejuízos ao perderem o direito de vender suas safras como convencionais e/ou orgânicas.
O Greenpeace tem publicado anualmente um Registro sobre Contaminação Transgênica sobre os muitos casos verificados em todo o mundo.
2. Ameaça à biodiversidadeA contaminação genética pode ter também um efeito devastador na biodiversidade do planeta. Ao liberar organismos geneticamente modificados na natureza, colocamos em risco variedades nativas de sementes que vêm sendo cultivadas há milênios pela humanidade. Além disso, os transgênicos podem afetar diretamente seres vivos que habitam o entorno das plantações, conforme indicam estudos científicos - como no caso das borboletas monarcas, que são insetos não-alvo da planta transgênica inseticida, mas são também atingidas.
3. Dependência dos agricultoresA empresa de biotecnologia Monsanto é hoje a maior produtora de sementes do mundo, convencionais e transgênicas. Além disso, é também uma das maiores fabricantes de herbicidas do planeta, com destaque para o Roundup, muito usado em plantações de soja geneticamente modificada no sul do Brasil. Com essa venda casada - semente transgênica mais o herbicida ao qual a planta é resistente -, os agricultores ficam presos num ciclo vicioso, totalmente dependentes de poucas empresas e das políticas de preços adotadas por elas. Ver aqui.Outro grande problema verificado nos países que têm adotados os transgênicos - principalmente os Estados Unidos e Argentina -, é a draconiana propriedade intelectual exercida pelas empresas sobre as sementes transgênicas. O agricultor é proibido de guardar sementes de um ano para o outro, podendo sofrer pesados processos caso faça isso, e ainda corre o risco de ser processado de qualquer maneira caso a sua plantação sofra contaminação genética de uma outra transgênica - e ele não tiver como provar isso.4. Baixa produtividade
Os argumentos de quem defende os transgênicos como solução para a crise alimentar que vivemos vêm caindo por terra dia após dia. Os transgênicos já se mostraram pouco
competitivos economicamente e recentes estudos promovidos por universidades americanas comprovaram que variedades transgênicas são até 15% menos produtivas do que as convencionais. Confrontadas com os resultados das pesquisas, empresas de biotecnologia admitiram que seus transgênicos não foram criados para serem mais produtivos, mas sim para serem resistentes aos agrotóxicos fabricados por essas mesmas empresas. Num primeiro momento, os transgênicos podem até ser mais produtivos do que os cultivos convencionais ou orgânicos/ecológicos, mas no médio e longo prazos, o que se tem verificado é uma redução na produção e um aumento significativo nos preços dos insumos como o glifosato, principal herbicida usado em plantações transgênicas.
5. Desrespeito ao consumidor (rotulagem)
O Brasil tem uma lei de rotulagem em vigor desde 2004, que obriga os fabricantes de alimentos a rotular as embalagens de todo produto que usam 1% ou mais de matéria-prima transgênica. No entanto, apenas duas empresas de óleo de soja rotulam algumas de suas marcas do produto - e mesmo assim só depois de terem sido acionadas judicionalmente pelo Ministério Público. Há milhares de produtos nas prateleiras dos supermercados brasileiros que chegam à mesa das pessoas sem a devida informação sobre o uso de substâncias geneticamente modificadas, numa afronta direta à lei e num claro desrespeito ao consumidor.O Greenpeace publica, desde 2002, o
Guia do Consumidor com uma lista verde de produtos que não usam transgênicos em sua fabricação e outra lista, vermelha, com produtos que podem conter organismos geneticamente modificados em sua composição.
6. Uso excessivo de herbicidaO caso da Argentina é emblemático: depois que os transgênicos começaram a serem plantados em suas terras, o consumo de herbicida explodiu no país, que passou a ser um dos que mais usam produtos químicos em plantações no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A explicação é simples: como os transgênicos são resistentes a um tipo específico de herbicida, o agricultor usa cada vez mais dele para proteger sua plantação de pragas. Com o tempo, no entanto, esse
uso excessivo provoca problemas no solo, nos trabalhadores e promove o surgimento de pragas resistentes ao herbicida (arquivo em pdf para baixar), exigindo mais e mais aplicações. 7. Ameaça à saúde humana
Não existem estudos científicos que comprovem a segurança dos transgênicos para a saúde humana. Apesar de exigidos por governos de todo o mundo, as empresas de biotecnologia nunca conseguiram apresentar relatórios nesse sentido - e ainda assim, seus produtos são aprovados. Por outro lado, alguns estudos independentes indicaram problemas sérios, como alterações de órgãos internos (rins e fígado) de cobaias alimentadas com milho transgênico MON863 da Monsanto.E ainda há o risco do uso excessivo do glusofinato, componente ativo da variedade transgênica Liberty Link, da Bayer, presente tanto no milho como no arroz geneticamente modificado produzido pela empresa. Problemas como esses levaram alguns países,
como a Áustria, a proibírem a importação e comercialização desses produtos.
No Brasil, infelizmente, não existe o mesmo cuidado. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no país, vem dando sinal verde para variedades que enfrentam grande resistência em outros países, como no
caso do milho MON810, da Monsanto, proibido na Europa e liberado no Brasil.
http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/os-sete-pecados-capitais-dos-t

Arroz transgênico

Arroz transgênico da Bayer: o perigo ronda consumidores brasileiros
12 de Fevereiro de 2009
Ao se recusarem a servir arroz transgênicos a seus clientes, as principais cadeias de restaurantes de Manila, nas Filipinas, demonstram respeito ao consumidor e ao meio ambiente.
Brasília (DF), Brasil — CTNBio convoca audiência pública para discutir variedade geneticamente modificada. Greenpeace pediu para participar da reunião.
Os consumidores podem se preparar. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) está prestes a modificar um dos alimentos mais importantes na dieta do brasileiro: o arroz. Diferente da soja e do milho transgênicos, que também são destinados à alimentação animal, o arroz é quase todo destinado a alimentação humana, e pela primeira vez os transgênicos podem estar no prato diário do brasileiro.
Para discutir a aprovação do arroz LL62, da Bayer, será realizada no próximo dia 18 de março, em Brasília, uma audiência pública. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (12/2), na primeira reunião do ano da CTNBio, que continua vendada frente aos riscos que a população brasileira estará sujeita com essa liberação.O regimento interno da CTNBio permite, durante a audiência pública, a exposição de argumentos de cientistas e da sociedade civil, mas a escolha desses expositores é feita exclusivamente pela própria Comissão. Não há critérios formalmente definidos para a seleção de quem pode falar durante a audiência e os cientistas da CTNBio podem se isentar de responder às perguntas da sociedade civil.
O Greenpeace apresentou um pedido de participação como expositor e aguarda retorno da Comissão. "Existem vários estudos e fatos que mostram as desvantagens do arroz da Bayer em termos ambientais, econômicas e de saúde, e é isso que queremos apresentar no dia 18. A maior parte da soja e milho produzidos no país são destinados a alimentação animal. Com o arroz, a situação é mais grave e o risco aumenta, pois é consumido diretamente pelas pessoas", explica o coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace, Rafael Cruz.
Além do agendamento da audiência pública, a primeira reunião da CTNBio no ano foi marcada por um intenso debate sobre a necessidade de se "simplificar" o processo de aprovação de campos experimentais de cultivos transgênicos no país, proposta por Luiz Antônio Barreto de Castro, representante do Ministério de Ciência e Tecnologia na CTNBio. Uma nova votação sobre essa Resolução Normativa chegou a ser sugerida, para determinar essas novas regras – mesma votação realizada em novembro passado.
"Não faz o menor sentido estabelecer um novo conjunto de regras, após menos de quatro meses da última publicação. Ainda mais um conjunto que pretende aprovar irresponsavelmente campos experimentais", argumenta Rafael.
O arroz transgênico LL62 da Bayer foi modificado geneticamente para resistir a um agrotóxico, com a introdução de uma sequência genética de bactéria - a mesma implantada no milho Liberty Link, também da Bayer. A propriedade adquirida pelo arroz é a resistência ao agrotóxico glufosinato de amônio.
Estudos independentes sobre os impactos do glufosinato na saúde humana e animal indicam que, quando testado em ratos, sua ingestão foi responsável por alterações no sistema nervoso, tremores, convulsões, reações alérgicas, além da permanência residual da substância no fígado, rins e no leite.

http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/noticias/arroz-transg-nico-da-bayer-o

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Aumento de 73% !!!

09 de Agosto de 2004
A incidência de câncer em crianças com até 15 anos aumentou nos últimos 30 anos na cidade de São Paulo, segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Entre os meninos, o crescimento foi de 73% e, entre as meninas, 61%. A explicação, de acordo com o estudo, pode estar associada a causas genéticas e a exposição dos pais a fatores de risco, como substâncias químicas, cigarro e álcool.
De acordo com a pesquisa, em 1969 a incidência foi de 128,5 casos em cada 1 milhão de meninos e 120,9 em cada 1 milhão de meninas. No período entre 1997 e 1998, os números subiram para 222,5 e 195 para cada 1 milhão, respectivamente.
A maior ocorrência entre o sexo masculino ainda não é bem explicada e ocorre também em outros países, segundo a publicação. Vimos que houve mesmo um aumento da incidência. Além do fator genético, que tem influência, tudo leva a supor que seja também por uma maior exposição dos pais a fatores de risco. Profissões que lidam diariamente com derivados de petróleo, solventes, inseticidas e chumbo podem interferir. Durante a gestação, o uso de alguns tipos de medicamentos, de tabaco, álcool e maconha também, afirma o médico
Antonio Pedro Mirra, professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenador do grupo que fez a pesquisa.
O estudo listou os principais tipo de tumores que mais afetam essa população. Por estarem em desenvolvimento, são mais freqüentes as leucemias, linfomas e tumores nos sistemas nervoso e ósseo. Dentre esses, a faixa mais propensa a desenvolver um câncer é de 0 a 4 anos. Já nos adultos, que enfrentam um processo degenerativo, ocorre uma predominância dos tumores de pulmão, estômago, intestino e próstata.
Para Mirra, o resultado é importante para chamar a atenção dos médicos e da sociedade para a necessidade de eliminar ou minimizar a exposição a esses fatores de risco. Os outros dois passos para a diminuição desses números, segundo o pesquisador, seriam aumentar o diagnóstico precoce e prolongar a sobrevida dos pacientes, com tratamentos adequados.
(O Estado de S.Paulo)

http://aprendiz.uol.com.br/content/pinupricro.mmp

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Alimentação inadequada e desempenho escolar

Cuidado com o lanche é uma das ferramentas para prevenir doenças, como obesidade e diabete
Fernanda Aranda, JORNAL DA TARDE

Para vencer o que os nutricionistas chamam de "analfabetismo nutricional", pais precisam solucionar a equação: cálcio + proteína + energia - gordura trans. A matemática, que parece simples, não está sendo resolvida pelos adultos. Os resultados estão no aumento do índice infantil de obesidade, hipertensão e colesterol.
Na volta às aulas, o desafio vem à tona. O alerta é que uma alimentação inadequada na hora do lanche prejudica não só o desenvolvimento da criança, como o próprio desempenho escolar. E as opções expostas nas prateleiras dos supermercados podem ser vilãs, como atestou pesquisa da nutricionista Elaine Monteiro Occhialini na lancheira dos alunos da Escola da Vila, na zona oeste de São Paulo. "Os achocolatados em caixinha ofereciam metade do cálcio indicado e, de 9 marcas de bolachas, 7 tinham o dobro de gordura e sal do que o recomendado", diz ela, que inspecionou o rótulo de produtos levados pelos alunos por uma semana.
Os resultados encontrados por Elaine foram enviados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Há cinco anos, ela começou uma mudança no lanche dos alunos. Aos poucos, até a cenoura consegue vencer o chocolate na preferência da criançada. Na cantina da instituição, frutas, sucos e queijos estão na lista de pedidos. "Tudo é negociado com eles. Eles participam do processo de educação alimentar", diz Elaine.
Rosana Perim Costa, gerente de nutrição do Hospital do Coração, ressalta que o cuidado com o lanche dos filhos é uma das ferramentas para prevenir resultados diagnosticados em estudos recentes. A radiografia nutricional de alunos em fase pré-escolar, concluída em 2008, revelou que nas creches públicas 26% das crianças até de 6 anos pesavam mais do que o recomendado. Nas particulares, a taxa sobe para 34%. Por isso, a recomendação para a base do lanche é usar leite e derivados, barra de cereais e frutas.

Bomba populacional

por Andrea Vialli, 30.01.09

Em 1968, Paul Ehrlich, biólogo da universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicou com grande celeuma seu livro 'The Population Bomb', onde defende que os países adotem um controle populacional rígido, de modo a evitar uma escassez de alimentos e outros recursos naturais. Na época, ele próprio foi bombardeado por gente da esquerda e da direita. Os detratores da esquerda diziam que ele tinha inspirações nazistas em defender o controle populacional. Os da direita diziam que suas idéias eram uma afronta aos direitos individuais. Ehrlich tinha 36 anos quando publicou o livro.
Ele errou ao prever que, nas décadas de 1970 e 1980, milhões de pessoas morreriam de fome por causa da escassez de comida. Mas hoje, aos 76 anos, Ehrlich volta a ser comentado. Suas idéias caíram no gosto dos estudiosos e ativistas da sustentabilidade. Ele manteve sua idéia original - de que o crescimento sem limites da população e o hiperconsumo não são compatíveis com a finitude dos recursos naturais.
E mais: junto com sua esposa, Anne Ehrlich, o cientista criou uma fórmula matemática para calcular a pressão dos humanos sobre a Terra: I=PAT. Na equação, I é o impacto ambiental, medido pela multiplicação de P (o tamanho da população de uma área), A (média do consumo individual, medido pelo PIB per capita) e T (tecnologias empregadas e seu impacto em termos de emissões de gases de efeito estufa).
O debate neomalthusiano voltou a ganhar espaço face a questões como segurança alimentar, pobreza, suprimento de energia e mudança climática. A população do mundo atualmente está em 6,8 bilhões de pessoas - quatro vezes o tamanho da população há um século atrás - e, embora as taxas médias de fecundidade estejam em queda (2,8 filhos por mulher nas nações mais pobres e 1,6 nas mais ricas), anualmente em torno de 75 milhões de habitantes são acrescentados ao planeta.
Há quem diga que o problema não é a quantidade de pessoas no planeta, e sim seu padrão de consumo e também o desperdício de recursos como água e comida. Nesse time, está a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em seu relatório “Perspectivas do Meio Ambiente para 2030”, o grupo prevê que só o “stress hídrico” atingirá 3 bilhões de pessoas. “A população não representa um problema em si. As pressões exercidas sobre os recursos naturais não vem do número de habitantes, mas de seus hábitos de consumo.” Nunca é demais lembrar que a OCDE reúne os países mais ricos do mundo, justamente aqueles que tem o padrão de consumo mais elevado.

Fogo e flexibilidade

Dietas de alto valor nutritivo tornaram-se necessárias para sustentar as exigências energéticas do cérebro

CHICAGO, EUA - Richard Wrangham já provou praticamente todas as coisas que os chimpanzés comem na África, e uma vez pensou na hipótese de descobrir se conseguiria viver dessa dieta. "Percebi que ia passar um bocado de fome", disse ele. "Seria difícil para um ser humano sobreviver numa dieta de chimpanzé".
A assinatura da dieta humana é o cozimento, disse ele numa reunião da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS). Ao alterar a forma de amidos, gorduras e proteínas, o cozimento concentra nutrientes nos alimentos, disse ele e a um painel que debateu os hábitos alimentares dos primeiros seres humanos.
Alinhados sobre a mesa estavam vários crânios antigos, provas do desgaste causado pelas comidas primitivas, sorrindo para a plateia.
O que nossos antepassados mais remotos comiam é, há tempos, assunto de especulação entre antropólogos como Wrangham, da Universidade Harvard. cada vez mais evidências trazem pistas sobre a dieta primordial.
"O marco da dieta humana é flexibilidade, a capacidade de encontrar ou criar uma refeição em qualquer ambiente", disse o antropólogo William Leonard, da Universidade Northwestern.
Dietas de alto valor nutritivo tornaram-se necessárias para que os seres humanos pudessem satisfazer as crescentes exigências energéticas de um grande cérebro.
Os elementos essenciais da dieta humana têm densidade nutricional muito maior que os de outros primatas, que conseguem subsistir de folhas e frutos, disse ele.
O tamanho e formato da mandíbula, e o desgaste dos dentes podem nos dizer muito sobre o que os povos antigos comiam, disse Peter Ungar, da Universidade de Arkansas.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Habitos diferentes, novos riscos

Estudo realizado na Unifesp mostra que estilo de vida ocidental pode ser responsável por alta prevalência de diabetes e risco cardiovascular entre nipo-brasileiros. Atividade física e mudança na dieta seriam medidas eficazes de prevenção

Agência FAPESP – Os hábitos de vida do Ocidente podem estar deteriorando a saúde da população nipo-brasileira. Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) entre 1993 e 2007, em Bauru (SP), indicou uma alarmante prevalência de diabetes e fatores de risco cardiovascular entre descendentes de japoneses. No entanto, a fase final do estudo, que consistiu em uma intervenção junto a essa população, demonstrou que algumas mudanças na dieta e a prática de atividades físicas podem ser medidas efetivas para combater o problema.
A primeira fase da pesquisa, em 1993, indicou que a prevalência de diabetes entre os descendentes de japoneses era de 20%, em média, contra 7,5% na população brasileira em geral. Em 2000, a segunda fase revelou que o problema havia se agravado: a prevalência de diabetes entre nipo-brasileiros era de 35%.

Os resultados da segunda fase – um Projeto Temático apoiado pela FAPESP – foram publicados na mais recente edição da revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia. A terceira fase foi realizada entre 2005 e 2007.
De acordo com a autora principal do artigo, Antonela Siqueira, que atualmente é pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), os descendentes de japoneses têm uma predisposição genética aos males causados por fatores típicos do cotidiano ocidental, como sedentarismo, estresse e alimentação rica em gordura e açúcar.
“A primeira fase do estudo indicou que a prevalência de diabetes entre os nipo-brasileiros era quase o triplo do resto da população. Em 2000, começamos a estudar a presença da síndrome metabólica – o conjunto de fatores de risco cardiovascular, que inclui diabetes, hipertensão arterial, distúrbios lipídicos e obesidade”, disse Antonela à Agência FAPESP.
Bauru foi escolhida, segundo a pesquisadora, por ter uma comunidade nipo-brasileira ampla e pouco miscigenada, com fácil acesso ao hospital em que foram feitas as análises clínicas. Em 1993, foram avaliados 647 indivíduos de 40 a 79 anos, descendentes de primeira e segunda geração. Em 2000, o estudo foi ampliado para 1.330 indivíduos.
“Em 2000, estudamos também os fatores dietéticos que poderiam contribuir para a prevalência da síndrome metabólica, que, conforme detectamos nessa época, era maior que 5%. O aumento do diabetes nos surpreendeu: passou de 20% para 35% em apenas sete anos”, afirmou.
Embora a população nipo-brasileira não tenha uma obesidade importante, os voluntários apresentaram alta taxa de gordura visceral. “O que importa para essas doenças é a cintura abdominal e não a obesidade periférica. Para os nipo-brasileiros, gordura no abdome significa perigo para a saúde. Os problemas aparecem quando a medida passa de 102 centímetros, para um homem ocidental, ou dos 90 centímetros, para um oriental”, apontou.
Os pesquisadores detectaram um aumento de glicemia – ou perda de tolerância à glicose –, que foi associado principalmente ao consumo exagerado de carboidratos refinados, sem fibra, como pão e arroz não-integrais.
“A alta prevalência de síndrome metabólica foi associada a um aumento no consumo de gordura saturada, que aumenta o colesterol ruim. A avaliação longitudinal mostrou que o fator que mais contribuiu para isso foi um consumo exagerado de carne vermelha”, disse Antonela.
O estudo transversal analisou de uma só vez, em uma série de exames, a condição da população de descendentes de japoneses naquele momento e mostrou que todos os indicadores ligados à síndrome metabólica haviam aumentado entre 1993 e 2000.
“Havia aumento do colesterol, do diabetes e principalmente dos triglicérides – associados ao açúcar –, que apareceram aumentados em 66% da população. Enquanto o nível normal é de 150 mg/dL, a média entre os nipo-brasileiros ficou em 240 mg/dL. Alguns indivíduos tinham valores próximos de mil”, afirmou.
A prevalência de doença cardiovascular – que pode resultar em infarto, derrame, obstrução arterial periférica e arteriosclerose, atingiu 14% da população analisada. “Se fosse em idosos, essa prevalência não poderia ser considerada muito alta. Mas, para uma população a partir de 30 anos, é altamente preocupante”, disse Antonela.

Ação efetiva
De acordo com Bianca de Almeida Pitito, doutoranda da Unifesp que participou da terceira fase do estudo, a partir dos resultados da pesquisa de 2000 o grupo começou a planejar um programa de intervenção.
“Ao constatar que o diabetes havia aumentado tão drasticamente em sete anos e que havia prevalência da síndrome metabólica, concluímos que, se nada fosse feito, a tendência era que dentro de mais alguns anos os problemas ficassem ainda mais graves. Por isso, planejamos a intervenção”, disse Bianca à Agência FAPESP.
Com uma equipe interdisciplinar, contando com nutricionistas e educadores físicos, os pesquisadores fizeram a intervenção focada em orientação para mudanças na dieta e estímulo à atividade física. O programa não incluiu aplicação de medicação.
Segundo Bianca, o objetivo era comparar as condições de saúde dos voluntários no início e no fim do programa. “Como havíamos detectado o problema, não seria ético deixar parte da população sem acesso ao programa, por isso não houve condições para trabalhar com um grupo de controle”, explicou.
Foram feitas três avaliações clínicas: a primeira no início da intervenção, em 2005, a segunda em 2006 e a terceira no fim do programa, em 2007. “Foram feitos exames para verificar pressão sangüínea, peso, circunferência da cintura, colesterol, triglicerídeo e glicose. Foram avaliados 653 indivíduos”, disse.
Depois de um ano de intervenção, segundo Bianca, foi detectada uma melhora sensível em todos os parâmetros: obesidade central, glicemia, perfil lipídico, colesterol, pressão sangüínea e gordura abdominal.
“A redução desses fatores ocorreu apenas com a mudança de dieta e de padrões de atividade física, o que mostra que a mudança de hábitos pode ser fundamental para prevenir a síndrome metabólica”, afirmou.
Segundo a pesquisadora a melhora de todos os indicadores em apenas um ano, ainda que não tenha sido drástica, pode ter grande impacto do ponto de vista populacional. Os resultados da análise de 2007 ainda não foram sistematizados.
Para ler o artigo Distúrbios no perfil lipídico são altamente prevalentes em população nipo-brasileira, de Antonela Siqueira e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP)

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